Pendura sim; pendura não: veja o que dizem os advogados.
Em 11 de agosto de 1827, por ato do imperador Dom Pedro I, dois cursos jurídicos foram fundados no Brasil. O respeito pela profissão na época era tão grande que donos de restaurante faziam questão de bancar a conta dos estudantes de Direito nesta data. Ofereciam alimentação e bebidas gratuitas. Assim, nascia “o Dia da Pendura”.
Com o passar dos anos, a comemoração tomou proporções e razões que vão além do simples festejo, podendo terminar na delegacia. Por isso, alguns advogados –que já foram estudantes de Direito — condenam a prática.
“Sou contra. Pendura é comer e não pagar. Além do mais, é contra o que aprendemos na faculdade e configura crime”, opina Rodrigo Karpat, do Karpat Sociedade de Advogados. “Acabou. Não tem mais eco na atual conjuntura socioeconômica”, concorda José Augusto Rodrigues Jr, sócio do escritório Rodrigues Jr Advogados.
A superintendente do Caesp (Conselho Arbitral de São Paulo), Ana Claudia Pastore, considera o Pendura como uma “tentativa criminosa de permitir que justamente os profissionais que devem colaborar para a manutenção da ordem” não o façam.
“Só num país como o Brasil é que se permite uma atitude desrespeitosa, que causa prejuízos, que traz em si a institucionalização da bagunça”, disse Ana Claudia.
“Não comemoro e não aprovo. Muito vezes, inclusive, o Pendura é feito por pessoas que nem estudantes de direito são. Lastimável”, comenta Alan Balaban, do Braga e Balaban Advogados.
Questão de tradição
Por outro lado, existem também aqueles que defendem a tradição. “O dia da Pendura é um dia de festa, uma tradição. Desde de que realizada de forma sadia, tem o intuito de confraternizar”, avalia Ricardo Pereira de Freitas Guimarães, do Freitas Guimarães Advogados Associados.
Para Rodolfo Ramer, do Ramer Advogados, a “filosofia” da comemoração deveria ser mantida. “A ideia é que as pessoas faça a Pendura em um local que já são clientes e peçam pratos de costume. Geralmente os próprios estabelecimentos se oferecem para participar da brincadeira. Não é isso que acontece hoje. Muitos vão a locais que nunca freqüentaram, pedem pratos caros e querem ir embora”, disse.
“Essa é uma questão polêmica. Como brincadeira acho válida. No entanto, aqueles que passarem dos limites, devem arcar com as conseqüências”, pondera Daniel Alcântara Nastri Cerveira do Cerveira, Dornellas e Advogados Associados, que recomenda: “No meu tempo combinava com os donos de restaurantes com antecedência. Nunca tive coragem e paciência de encarar uma delegacia depois”
Fonte: Ui
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