terça-feira, 17 de novembro de 2009

Juiz sergipano condena réu a ser capado.

 Sentença judicial datada de 1833 - Provincia de Sergipe.

O adjunto de promotor público, representado contra a cabra Manoel Duda, porque no dia 11 do mês de nossa Senhora Sant’Ana quando a mulher do Xico Bento ia para a fonte, já perto dela, o supracitado cabra estava de uma moita do mato, sahiu della de supetão e fez proposta a dita mulher, por quem queria para coisa que não se pode trazer a lume, e como ella se recuzasse, o dito cabra abrafolou-se dela, deitou-a no chão, deixando as encomendas della de fora e a Deus dará.

Elle não consegui matrimonio porque ella gritou e veio em amparo della Nocreto Correia e Noberto Barbosa, que prenderam o cujo flagrante.

Dizem as leises que duas testemunhas que assistam a qualquer naufrágio do sucesso faz prova.

CONSIDERO:


Que o cabra Manoel Duda agrediu a mulher de Xico Bento para conxambrar com ela e fazer chumbregâncias, coisas que só marido della competia conxambrar, porque casados pelo regime da Santa Igreja Cathólica Romana;

Que o cabra Manoel Duda é um suplicante deboxado que nunca soube respeitar as famílias de suas vizinhas, tanto que quis também fazer conxambranas com a Quitéria e Clarinha, moças donzellas;


QUE Manoel Duda é um sujeito perigoso e que não tiver uma cousa que atenue a perigança dela, amanhan está metendo medo até nos homens.


CONDENO:


O cabra Manoel Duda, pelo malifício que fez à mulher do Xico Bento, a ser CAPADO, capadura que deverá ser feita a MACETA.

A execução desta peça deverá ser feita na cadeia desta Villa.


Nomeio carrasco o carcereiro.


Cumpra-se e apregue-se editais nos lugares públicos.

Manoel Fernandes dos Santos
Juiz de Direito da Vila de Porto da Folha Sergipe, 15 de outubro de 1833.

Fonte: Instituto Histórico de Alagoas

Um comentário:

  1. Amei a peça, uma fez que sou historiadora e curiosa do Direito. Eu sabia que você seria brilhante em qualquer coisa que desejasse fazer.
    Um beijão da eterna tia France.

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