terça-feira, 10 de novembro de 2009

O Brasil não é um país sério

A realidade que vivenciamos atualmente, em que as instituições que administram o Brasil, enfrentam uma verdadeira e profunda crise de credibilidade, nos leva a questionar a cerca da seriedade com que o nosso país é conduzido e até mesmo a seriedade do próprio povo brasileiro.


Isso me remete a histórica frase dita pelo presidente francês Charles de Gaulle, na década de 60. De Gaulle disse: “O Brasil não é um país sério”. A frase na época causou uma verdadeira crise diplomática entre os dois países. Esse é apenas um exemplo de opiniões que colocam em xeque a seriedade e conduta do povo brasileiro. Mas, estaria ele errado ou exagerando?


Desde aquela época até hoje o que vemos é que população está a cada dias mais cética com relação o futuro de nossa nação, são inúmeros os casos de corrupção praticada por gestores públicos; de inércia frente aos problemas enfrentados pela população, que se sente frustrada e impotente frente tais situações, que já fazem parte do nosso dia-a-dia. Os maus exemplos se proliferam a perder de vista. E a sensação que temos é que nada se pode fazer para mudar tal realidade.


É frustrante apenas poder assistir de camarote os mandos e desmandos, os absurdos que são praticados por nossos gestores, que na maioria das vezes só pensam e em si mesmos e nas pessoas ligadas a eles, não levam em conta a real necessidade da coletividade, mas, sim as suas e a dos seus.


É bem verdade que já houve vários avanços, em diversos aspectos político-sociais no que diz respeito à gestão de nossa nação, mas, a administração pública de nosso país, atende aos interesses dos clãs detentores do poder e detrimento da população em geral. Clãs esses que na sua maioria se perpetuam no poder há décadas, usando das mais diversas artimanhas políticas para se perpetuarem no poder, o passando de geração a geração, num ciclo que parece não ter fim.


No entanto, apesar de haver uma verdadeira “demonização” dos agentes públicos, sejam detentores de cargos eletivos ou não, a população também tem sua parcela de culpa para que essa situação se perpetue com tanta veemência.


Quem nunca resolveu para alguém ou procurou resolver algum problema com o velho e bom “jeitinho brasileiro”? Ele é utilizado por quase todos nas mais diversas situações. São exatamente nessas pequenas situações em que se inicia a retirada da seriedade das relações entre os indivíduos, o que acaba se enraizando nas relações interpessoais tornando um costume, passando a fazer parte da cultura do povo.


Quem segue as vias normais passa a se sentir lesado, podendo até mesmo ser rotulado como um verdadeiro idiota, que quer ser melhor que os outros. Ser sério e honesto, que deveria ser algo normal tornou-se algo extraordinário, que merece ser noticiado pela mídia. Hoje, o cidadão que é honesto merece honras e pompas.


A problemática da seriedade na condução de nossa nação, não é algo que diz respeito única e exclusivamente para com a conduta de nossos gestores públicos, ela diz respeito ao comportamento de cada individuo que compõe o todo, ou seja, à coletividade. A mudança tem de começar na base da sociedade, nas relações homem a homem. Faz-se necessária à ocorrência, de um verdadeiro processo de conscientização em massa. Ao agirmos de forma correta, poderemos passar cobrar deles, os gestores, a mesma seriedade de conduta daí, o que hoje é exceção poderá passar a ser a regra.

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